Comece Bem a Empreender

Empreender é correr riscos, mas calculados.

Por isso, é preciso estudar quais podem ser as adversidades e planejar com antecedência as ações que serão tomadas. “É preciso conhecer o mercado, saber quais são as necessidades dos clientes e surpreendê-los positivamente”, resume Alan Tanno, consultor de negócios com especialização em finanças do Sebrae-SP.

Independentemente do tipo de negócio eleito, para tornar-se um empreendedor  não basta ter apenas o capital inicial. Contudo, é fundamental aprender a lidar com a parte financeira do empreendimento. Qualquer negócio, por menor que seja, demanda algum investimento, ainda que seja só o tempo de seu idealizador – dedicado a montar a empresa, prospectar os clientes e conquistar certa estabilidade. Nesse início, dificilmente entra dinheiro. Pelo contrário, há gastos, e mesmo que esse valor não seja alto, é preciso considerar o próprio sustento até o negócio começar a dar lucro, sob o risco de contrair dividas não planejada.

Por isso, além do capital inicial, o futuro empresário precisa ter um fundo de reserva para bancar suas próprias despesas até que possa viver do pró-labore (retiradas regulares e previamente estipuladas). Uma conduta sugerida pelo consultor é, antes de iniciar a jornada empreendedora, reduzir os gastos fixos pessoais (e familiares) ao máximo.

Tanno assegura que o futuro empresário precisa estudar e se familiarizar com a gestão financeira de uma empresa. “Embora possa ter o auxílio de especialistas, no dia a dia, será ele quem tomará as decisões”, coloca. Por exemplo, entender de fluxo de caixa, ferramenta gerencial que administra o dinheiro (contas a receber em contas a pagar), é fundamental para acompanhar a saúde financeira do negócio e se o capital de giro será suficiente ou não para os próximos meses. Também é por meio da análise do fluxo de caixa que decisões estratégicas são tomadas, como fazer ou não novos investimentos e aumentar ou reduzir estoques.

As tarefas corriqueiras de um empreendedor incluem controlar, rigorosamente, despesas fixas, variáveis, calcular o lucro, o preço dos produtos ou dos serviços, o volume do estoque (se houver), o pagamento de impostos etc. Para isso, é bom ter o auxílio de um contador e também a recorrer a entidades que prestam assessoria de gestão financeira, como o SEBRAE. Vale ainda fazer cursos presenciais ou na internet, ou mesmo usar programas (softwares) que auxiliam no processo.

O consultor aconselha, antes de tudo, a fazer um bom plano de negócios para minimizar os riscos e saber exatamente quanto será preciso investir para iniciar a atividade e qual será o custo mensal da operação. Quanto mais detalhado for esse documento, mais informações relevantes o futuro empreendedor terá para se preparar e avaliar onde, como e em que investir primeiro. Levantamento do custo de máquinas e equipamentos (se for necessário), o valor a ser pago de aluguel, de água, de energia elétrica, do estoque inicial (se a atividade exigir), contador, gastos com a formalização, tudo deve ser considerado.

É importante ressaltar que pró-labore precisa fazer parte das despesas fixas da empresa e não ser retirado do lucro.

Ainda que para um inexperiente pareça a mesma coisa, não é, e facilmente pode comprometer a saúde financeira da empresa. De acordo com Tanno, já nos primeiros meses é importante que a empresa se consolide e o faturamento seja suficiente para pagar as contas do negócio e começar a dar alguma margem de lucro, que possa vir a compor o capital de giro e assegurar não só um caixa saudável como permitir o crescimento das operações. Quanto ao prazo médio do retorno do investimento, ele vai depender do valor investido na empresa e na sua capacidade mensal de geração de lucro, que, por sua vez, é resultado também de uma boa gestão de negócio.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *